Adorava ter daquelas vidinhas abençoadas.
Super favorecidas pelos milagres da genética.
Mas ninguém quer ler textos de alguém que só se sabe queixar para umas quantas linhas no papel.
Digo-vos. Ninguém quer ler textos de alguém que só dê pena. É desinteressante.
É de pouca qualidade.
Mas prometo que nestas férias vou comer dicionários. Só para ver se me traz novas peças de vocabulário.
Férias!
Quem não quer?
Daquelas que só são possíveis em lugares que não o nosso. Daquelas que só acontecem nos filmes. Com aquelas cenas típicas e que me deixam verde de inveja.
Férias com amigos. Com os ingredientes todos que vêm com a receita, por direito!
Amores de verão, praia de dia com gelados, praia de noite com guitarras e fogueiras.
Saladas frescas, aventuras a condizer.
Histórias e planos absurdos.
Tu estendes a mão e passas-me algum objecto.
De todos aqueles que te pertencem nunca achei que me fosses dar nenhum.
A mim deste um alfinete. Digo-o como se fosse um grande prémio ganho num grande concurso, mas não é, pois não?
É um alfinete.
Nunca vai ser mais do que aquilo, assim como tu nunca vais ser mais do que me és agora.
Vou usá-lo. O mais irónico é que vou usá-lo.
Para prender a tua fotografia no meu quadro de cortiça.
É esta a prova que te dou.
Tu nunca me seduziste com esse teu jeito tão sensível.
Eu sempre preferi o frontal.
Mas se ainda achas que me és indiferente podes abandonar essa ideia, depois de te conhecer voltei a roer as unhas.
E sei que é inevitável, assim que puder vou largar tudo o que estou a fazer e vou roer as unhas.
Sem brilho, sem verniz, nada.
Wednesday, March 19, 2008
Behold gentleman!
Because this is the night where you will testify a great chapter in the history of Mankind.
Someone has arrived.
The one we all expected for so long.
For so long that we are even tired of hearing and talking about it. But no one could forget.
Not for one second.
Someone with a great figure.
Perfectly shaped, maybe by God Himself.
Someone whose presence is so strong that even the ink of my pen is afraid to face.
Someone whose perfum is so captivating that not even the most powerful Maharajah can top.
Someone whose walk amazes all people in the globe.
Someone whose fences were passed long before Man's first step on the moon.
And you, you thought you could be that someone.
I have to congratulate you because you've accomplished one of your so wanted Master Pieces.
But not today.
Baby, today you only got everyone laughing at you.
Laughing so loudly that it burn.
And that burn that is leaving scares in your skin has my name written on it.
Gladly, I was the one who laughed louder. Drink it up
Because this is the night where you will testify a great chapter in the history of Mankind.
Someone has arrived.
The one we all expected for so long.
For so long that we are even tired of hearing and talking about it. But no one could forget.
Not for one second.
Someone with a great figure.
Perfectly shaped, maybe by God Himself.
Someone whose presence is so strong that even the ink of my pen is afraid to face.
Someone whose perfum is so captivating that not even the most powerful Maharajah can top.
Someone whose walk amazes all people in the globe.
Someone whose fences were passed long before Man's first step on the moon.
And you, you thought you could be that someone.
I have to congratulate you because you've accomplished one of your so wanted Master Pieces.
But not today.
Baby, today you only got everyone laughing at you.
Laughing so loudly that it burn.
And that burn that is leaving scares in your skin has my name written on it.
Gladly, I was the one who laughed louder. Drink it up
Monday, March 17, 2008
Inteiramente teu
“Silêncio.
A plateia aguarda ansiosamente o sinal do maestro.”
O pianista entra em palco.
Prepara-se para enfrentar esta plateia e extasiá-la sem dizer uma única palavra, sem precisar de estabelecer qualquer contacto com o seu olhar.
Sentem-se os seus passos, com aqueles sapatos de gala festiva a tocarem no soalho de madeira suave. Esquerdo, direito, esquerdo, direito.
Senta-se.
A plateia acolhe-o com palmas, alguns estão mesmo de pé. É como se lhe dissessem “bem-vindo a casa”.
Ao sinal do maestro, que faz flutuar as suas mãos com toda a paixão, entregando-se e pronto para se perder em frente àqueles músicos, àqueles instrumentos, começa então o concerto.
A medo, cria as primeiras notas.
A plateia ressente-se, como se a sua viagem tivesse começado.
Ao piano, seguem-se o violoncelo, o oboé, o clarinete… Só vêm acrescentar melodia, corpo a esta orquestra.
Violinos.
Os músicos dão-se todos aos seus instrumentos, e os seus instrumentos dão-se todos a eles. Seus companheiros de longas noites de inspiração, companheiros de pautas, notas, arpejos, fiéis amigos.
Acalma.
Os músicos, assim como a plateia, reúnem as suas forças, e inspiram fundo aquelas notas, não há oxigénio nem nenhum outro gás, aquela atmosfera é de música.
A sala está repleta de beleza, paira perfeição e emana sensualidade.
O pianista, embalado, toca um solo, atreve-se a assumir o comando da noite.
O fôlego aperta-se.
O clímax aproxima-se.
Este momento é âmbar. Congelou cada músico, toda a plateia, no eterno.
Do maestro sai toda a música. Fluida, como o grito daqueles violinos, como o chamar daquele oboé e daquele clarinete, o rufar daqueles tambores e como a mensagem daquele piano.
Os instrumentos pedem-no, os músicos pedem-no!
Quando o concerto desfalece e acaba, a plateia sente-se bem, bem. Nova.
Mas não acaba verdadeiramente, aquele concerto vai para casa, no mais intrínseco de cada um!
A plateia, submersa, aplaude de pé.
Os músicos agradecem de pé.
Por favor, outra vez!
A plateia aguarda ansiosamente o sinal do maestro.”
O pianista entra em palco.
Prepara-se para enfrentar esta plateia e extasiá-la sem dizer uma única palavra, sem precisar de estabelecer qualquer contacto com o seu olhar.
Sentem-se os seus passos, com aqueles sapatos de gala festiva a tocarem no soalho de madeira suave. Esquerdo, direito, esquerdo, direito.
Senta-se.
A plateia acolhe-o com palmas, alguns estão mesmo de pé. É como se lhe dissessem “bem-vindo a casa”.
Ao sinal do maestro, que faz flutuar as suas mãos com toda a paixão, entregando-se e pronto para se perder em frente àqueles músicos, àqueles instrumentos, começa então o concerto.
A medo, cria as primeiras notas.
A plateia ressente-se, como se a sua viagem tivesse começado.
Ao piano, seguem-se o violoncelo, o oboé, o clarinete… Só vêm acrescentar melodia, corpo a esta orquestra.
Violinos.
Os músicos dão-se todos aos seus instrumentos, e os seus instrumentos dão-se todos a eles. Seus companheiros de longas noites de inspiração, companheiros de pautas, notas, arpejos, fiéis amigos.
Acalma.
Os músicos, assim como a plateia, reúnem as suas forças, e inspiram fundo aquelas notas, não há oxigénio nem nenhum outro gás, aquela atmosfera é de música.
A sala está repleta de beleza, paira perfeição e emana sensualidade.
O pianista, embalado, toca um solo, atreve-se a assumir o comando da noite.
O fôlego aperta-se.
O clímax aproxima-se.
Este momento é âmbar. Congelou cada músico, toda a plateia, no eterno.
Do maestro sai toda a música. Fluida, como o grito daqueles violinos, como o chamar daquele oboé e daquele clarinete, o rufar daqueles tambores e como a mensagem daquele piano.
Os instrumentos pedem-no, os músicos pedem-no!
Quando o concerto desfalece e acaba, a plateia sente-se bem, bem. Nova.
Mas não acaba verdadeiramente, aquele concerto vai para casa, no mais intrínseco de cada um!
A plateia, submersa, aplaude de pé.
Os músicos agradecem de pé.
Por favor, outra vez!
Sunday, March 16, 2008
Perfeição, bolsos e p*tas
Comprei uns jeans novos.
Daqueles que nos servem como se tivessem sido feitos à medida para nós.
O homem que teceu aquelas linhas, que imaginou aquelas curvas e que coseu aqueles pontos estava a pensar em mim quando o fez.
E por isso ele entregou toda a sua saúde, disposição, cabeça, corpo e mente. Todos os poros da sua pele naqueles jeans.
Mas não são perfeitos, mas só porque o perfeito não existe.
Se existisse seriam aqueles jeans.
Se existisse seria um homem.
Se existisse seria uma mulher, e uma mulher grávida, trazendo vida dentro de si, literalmente.
Mas não há.
Há algo aproximado a isso, pode dizer-se que uma relação perfeita é quando se amam as qualidades e se suportam os defeitos. Estão a ver onde quero chegar?
Perfeição é a ausência de defeitos.
E isso não é do domínio terrestre e humano. É apenas reservado ao divino.
É como televisão por cabo, só quem paga caro pode ver.
Eu voltei a sentir aquele tecido assente na minha pele, e pus a mão no bolso. Quando olhei para o que tinha tirado de lá, para o que estava na minha mão, posso-vos dizer que era tempo. Era tempo, sangue e oxigénio.
P*ta que pariu falta-me o tempo, o sangue e o oxigénio e era lá que eles estavam, no meu bolso!
P*tas, p*tas, p*tas, pelo menos essas!
São o tóxico de uma sociedade, olhadas com desrespeito e tratadas como tal. No seu olhar, no entanto, só restará vergonha e desilusões.Porque no dia em que venderam o seu corpo, tiraram-lhes como se fossem uma promoção a sua força e orgulho.
Daqueles que nos servem como se tivessem sido feitos à medida para nós.
O homem que teceu aquelas linhas, que imaginou aquelas curvas e que coseu aqueles pontos estava a pensar em mim quando o fez.
E por isso ele entregou toda a sua saúde, disposição, cabeça, corpo e mente. Todos os poros da sua pele naqueles jeans.
Mas não são perfeitos, mas só porque o perfeito não existe.
Se existisse seriam aqueles jeans.
Se existisse seria um homem.
Se existisse seria uma mulher, e uma mulher grávida, trazendo vida dentro de si, literalmente.
Mas não há.
Há algo aproximado a isso, pode dizer-se que uma relação perfeita é quando se amam as qualidades e se suportam os defeitos. Estão a ver onde quero chegar?
Perfeição é a ausência de defeitos.
E isso não é do domínio terrestre e humano. É apenas reservado ao divino.
É como televisão por cabo, só quem paga caro pode ver.
Eu voltei a sentir aquele tecido assente na minha pele, e pus a mão no bolso. Quando olhei para o que tinha tirado de lá, para o que estava na minha mão, posso-vos dizer que era tempo. Era tempo, sangue e oxigénio.
P*ta que pariu falta-me o tempo, o sangue e o oxigénio e era lá que eles estavam, no meu bolso!
P*tas, p*tas, p*tas, pelo menos essas!
São o tóxico de uma sociedade, olhadas com desrespeito e tratadas como tal. No seu olhar, no entanto, só restará vergonha e desilusões.Porque no dia em que venderam o seu corpo, tiraram-lhes como se fossem uma promoção a sua força e orgulho.
Wednesday, February 20, 2008
Vou fechar os meus olhos e por-me à prova
Desafiar-me para me superar
e depois de o fazer vou poder descansar ou celebrar. Depende
Com os meus olhos já fechados,
vou sentir o caminho.
Vou sentir as pedras deste chão,
vou ser matéria e vou para outro lugar.
Vou fechar os meus olhos e por-me à prova
Porque eu sei os passos de cor
Porque eu aprendi o número de passos exactos que são precisos para chegar a ti.
Só fecharei os olhos e confiarei todos os meus passos aos meus instintos quando tu fores uma certeza segura.
Vou apertar o cinto e sentir a sua segurança
Vou andar de pés descalços. Vulneráveis
Vou caminhar por trilhos, com alguma pressa, pois posso perder o comboio.
E depois de tudo, vou beber um copo ou dois, e celebrar. Embebedar-me.
Porque uma vez bêbedo, vou ter ilusões.
E pode ser que tu, a minha maior ilusão, me apareças.
Vou fechar os meus olhos e por-me à prova.
E a cambalear pela avenida, vou voltar para casa.
Desafiar-me para me superar
e depois de o fazer vou poder descansar ou celebrar. Depende
Com os meus olhos já fechados,
vou sentir o caminho.
Vou sentir as pedras deste chão,
vou ser matéria e vou para outro lugar.
Vou fechar os meus olhos e por-me à prova
Porque eu sei os passos de cor
Porque eu aprendi o número de passos exactos que são precisos para chegar a ti.
Só fecharei os olhos e confiarei todos os meus passos aos meus instintos quando tu fores uma certeza segura.
Vou apertar o cinto e sentir a sua segurança
Vou andar de pés descalços. Vulneráveis
Vou caminhar por trilhos, com alguma pressa, pois posso perder o comboio.
E depois de tudo, vou beber um copo ou dois, e celebrar. Embebedar-me.
Porque uma vez bêbedo, vou ter ilusões.
E pode ser que tu, a minha maior ilusão, me apareças.
Vou fechar os meus olhos e por-me à prova.
E a cambalear pela avenida, vou voltar para casa.
Thursday, February 7, 2008
E mais uma vez, uma carrinha de mudanças estaciona ao lado da minha casa.
Traz mais uma família, mais uma vida embalada em caixotes de cartão. “Frágil”.
Quantos livros e filmes é que já foram feitos sobre o vizinho novo no bairro?
Mas quantas pessoas é que podem mesmo contar uma história sobre ele…
Eu entrei num filme. E fui uma das protagonistas.
Ao fim da tarde chegou a grande carrinho branca. Atrás dessa carrinha vinha um outro carro cinzento, estacionou, as portas da frente abriram-se e saiu o casal que parecia ser o dono da casa nova, depois abriu-se a porta de trás e saiu o filho do casal… alto, ambos largos, calções de Verão e t-shirt que deixava ver uns braços musculados e bronzeados. E eu vi tudo da janela do meu quarto, em câmara lenta.
Senti-me uma voyeur e levantei-me depressa e envergonhada, como se alguém me tivesse visto a olhar fixo naquele rapaz.
Até à hora de jantar estava num êxtase sem fazer barulho absolutamente nenhum.
À mesa de jantar tive que me controlar perante os meus pais e o meu irmão.
A companhia tocou um pouco depois da sobremesa… Oh meu Deus!
O meu irmão foi abrir e voltou para a mesa com as visitas… com A visita.
Eu nem queria acreditar que era o rapaz dos calções, e não queria acreditar que ele já conhecia o meu irmão.
Nem preciso de vos contar, já sabem… Foi o habitual.
Rapaz conhece rapariga, trocam-se olhares, o rapaz faz referências subtis e atrevidas à rapariga e por coincidência acabam por passar algum tempo a sós por causa de diversos contra tempos e planos mal explicados.
Completamente filme.
Passámos por vários cenários.
Festas de piscina, festas de praia, o quarto desarrumado do meu irmão, a parede do corredor, sala escura à luz de poucas velas, à luz da fogueira…
Estávamos nas nuvens, gostávamos um do outro e gostávamos de nos esconder… com pressão tornávamo-nos cúmplices e espiões.
À noite, eu ia até à casa do lado. Na noite seguinte, ele vinha até à casa do lado.
O meu mundo desaparecia e centrava-se tudo ali. Cada lugar do mundo era ali, cada pessoa éramos nós, cada pulsação, cada respiração.
E depois, um de nós dois saía pela varanda, à vez…
Uma noite, enquanto esperava que ele chegasse, vi o meu pai sair da porta, e do outro lado a mãe dele a sair.
Encontraram-se e entraram no carro do meu pai para conversar. Pareciam estar a discutir. Eles descobriram-nos!
A mãe dele saiu do carro e o meu pai correu atrás dela.
-Mas ele é meu filho?
Eu não podia acreditar…
- Responde!
A mãe dele olhou para o meu pai e voltou para casa a chorar.
Eu não queria acreditar!
Tapava os meus ouvidos mas já não podia apagar aquilo do meu cérebro! Só queria que o sangue parasse de correr nas minhas veias, queria acordar daquela mentira mas era tarde, muito tarde…
-O que é que se passa?
Ele já tinha subido a varanda.
Corri para ele e abracei-o com força pois aquela seria a última vez que lhe ia poder tocar.
-Miguel, não nos podemos continuar a … a ver.
Ele achou que eu ia de férias e sorriu, “mas nós vemo-nos quando voltares e eu porto-me bem enquanto estiveres fora”
-Não Miguel! Eu... eu já não – não podia dizer aquela mentira tão forte assim e negar que todos os músculos e nervos sensoriais do meu corpo o queriam de volta, mas eu tinha que ser maior que a dor, maior que o amor – eu já não sinto nada por ti.
E vi nos olhos dele que não acreditou, mas saiu por respeito.
E eu saí com ele, pela varanda. Mas estava ali parada, e fiquei.
Com as lágrimas a passearem em mim.
Traz mais uma família, mais uma vida embalada em caixotes de cartão. “Frágil”.
Quantos livros e filmes é que já foram feitos sobre o vizinho novo no bairro?
Mas quantas pessoas é que podem mesmo contar uma história sobre ele…
Eu entrei num filme. E fui uma das protagonistas.
Ao fim da tarde chegou a grande carrinho branca. Atrás dessa carrinha vinha um outro carro cinzento, estacionou, as portas da frente abriram-se e saiu o casal que parecia ser o dono da casa nova, depois abriu-se a porta de trás e saiu o filho do casal… alto, ambos largos, calções de Verão e t-shirt que deixava ver uns braços musculados e bronzeados. E eu vi tudo da janela do meu quarto, em câmara lenta.
Senti-me uma voyeur e levantei-me depressa e envergonhada, como se alguém me tivesse visto a olhar fixo naquele rapaz.
Até à hora de jantar estava num êxtase sem fazer barulho absolutamente nenhum.
À mesa de jantar tive que me controlar perante os meus pais e o meu irmão.
A companhia tocou um pouco depois da sobremesa… Oh meu Deus!
O meu irmão foi abrir e voltou para a mesa com as visitas… com A visita.
Eu nem queria acreditar que era o rapaz dos calções, e não queria acreditar que ele já conhecia o meu irmão.
Nem preciso de vos contar, já sabem… Foi o habitual.
Rapaz conhece rapariga, trocam-se olhares, o rapaz faz referências subtis e atrevidas à rapariga e por coincidência acabam por passar algum tempo a sós por causa de diversos contra tempos e planos mal explicados.
Completamente filme.
Passámos por vários cenários.
Festas de piscina, festas de praia, o quarto desarrumado do meu irmão, a parede do corredor, sala escura à luz de poucas velas, à luz da fogueira…
Estávamos nas nuvens, gostávamos um do outro e gostávamos de nos esconder… com pressão tornávamo-nos cúmplices e espiões.
À noite, eu ia até à casa do lado. Na noite seguinte, ele vinha até à casa do lado.
O meu mundo desaparecia e centrava-se tudo ali. Cada lugar do mundo era ali, cada pessoa éramos nós, cada pulsação, cada respiração.
E depois, um de nós dois saía pela varanda, à vez…
Uma noite, enquanto esperava que ele chegasse, vi o meu pai sair da porta, e do outro lado a mãe dele a sair.
Encontraram-se e entraram no carro do meu pai para conversar. Pareciam estar a discutir. Eles descobriram-nos!
A mãe dele saiu do carro e o meu pai correu atrás dela.
-Mas ele é meu filho?
Eu não podia acreditar…
- Responde!
A mãe dele olhou para o meu pai e voltou para casa a chorar.
Eu não queria acreditar!
Tapava os meus ouvidos mas já não podia apagar aquilo do meu cérebro! Só queria que o sangue parasse de correr nas minhas veias, queria acordar daquela mentira mas era tarde, muito tarde…
-O que é que se passa?
Ele já tinha subido a varanda.
Corri para ele e abracei-o com força pois aquela seria a última vez que lhe ia poder tocar.
-Miguel, não nos podemos continuar a … a ver.
Ele achou que eu ia de férias e sorriu, “mas nós vemo-nos quando voltares e eu porto-me bem enquanto estiveres fora”
-Não Miguel! Eu... eu já não – não podia dizer aquela mentira tão forte assim e negar que todos os músculos e nervos sensoriais do meu corpo o queriam de volta, mas eu tinha que ser maior que a dor, maior que o amor – eu já não sinto nada por ti.
E vi nos olhos dele que não acreditou, mas saiu por respeito.
E eu saí com ele, pela varanda. Mas estava ali parada, e fiquei.
Com as lágrimas a passearem em mim.
Aula de Portugues
Subscribe to:
Posts (Atom)