Ok, agora que o meu blogue está oficialmente morto e enterrado posso falar sem ninguém me ouvir (digamos que dois anos e tal é uma quantidade de tempo considerável).
Voltei à carga! Pressinto que isto é passageiro though, não se exaltem (whoever is reading this anyway)...
Acho que vos devo uns updates, no mínimo. Bem, desde a última vez que escrevi já se passaram algumas coisas: houve alguns rapazes (drama), entrei para a faculdade (mais drama), perdi algumas amizades e ganhei outras, viajei, saí de casa, discuti, chorei, etc which brings me here...
Um dia inteiro fechada em casa com gripe, John Mayer tracks e chá e estou pronta para desabafar
A verdade é que não estou assim tão diferente, continuo a ser bipolar no que toca a relações com as pessoas em geral. Ou me apego demasiado ou então há uma desconexão total.
Para ser sincera a parte da desconexão total dá jeito ás vezes, mas na maior parte do tempo acho incrível como posso ter desenvolvido este sistema para lidar com as pessoas que me magoam.
É assustador como tenho a capacidade de nutrir absolutamente ZERO sentimentos, não sinto raiva, ciúmes, saudade, NADA!
No que toca a amizades o caso muda de figura...
Não digo que seja raro encontrar pessoas que me cativem mas o facto é que há muito poucas que o consigam fazer e devo estar a portar-me bem porque o Pai Natal tem trazido algumas ao meu encontro.
Continuando, o que acontece é que conheço uma pessoa que me cativa e é como se ficasse presa. Dá-me um enorme prazer conhecer essa pessoa melhor portanto sou muito observadora e curiosa nos primeiros tempos. I sink in all the things they have to teach
E aprendo imenso, a sério. Posso afirmar que é das coisas que me dá maior prazer, admirar assim uma pessoa ao ponto de aprender alguma coisa sobre ela (ou sobre qualquer outro assunto) todos os dias.
E aqui, neste caso, é completamente o contrário, sinto demasiado (very Álvaro de Campos of me, yes)
Sinto ciúmes e saudade. E odeio que isso me aconteça porque, por muito que queira incutir isso no meu cérebro, não dá, vou querer sempre que tudo o que dou numa amizade seja correspondido e que haja provas disso.
O que me irrita mais é ser tão fria com umas pessoas e, quando comparada com os meus amigos mais próximos, ser eu a needy carinhosa.
Será assim tão egoísta pedir daquelas mensagens que queremos guardar para sempre, de vez em quando? quanto mais raras melhor para saberem genuinamente bem. Ou uma surpresa qualquer... Qualquer coisa que me faça pensar 'Sim, este indivíduo gosta de mim a sério'
E eu sei, eu sei que este tipo de coisas sabem-se pelos actos mas para mim as palavras também têm significado.
Bem, digamos que me tenho andado a sentir muito sozinha nos últimos tempos e, sinceramente, custa-me e deixa-me de rastos
Gostava de conseguir explicar-me melhor sobre este assunto mas os pensamentos são muitos e as palavras não têm velocidade suficiente para os acompanhar...
All i know is that I miss you
Monday, January 10, 2011
Saturday, June 28, 2008
Love Happens
Ao virar da esquina, vamos contra ele e deixamos cair os nossos livros. Baixamo-nos para os apanhar e é nesse momento que as mãos se tocam, e acontece.
A correr para apanhar o comboio, que está a sair da plataforma, quando um sorriso segura a porta, e acontece.
Nos jantares, rodeados de gente que conversa alto, quando as conversas ficam para barulho de fundo e em grande plano fica o erguer do copo de cristal, ele acontece.
Às 7h da manhã, o café acabou e descemos a avenida, quando o vemos sentado ao balcão, a soprar o cappucino, e acontece.
À espera que apareça um táxi, à chuva, quando ele aparece com um guarda-chuva para nos privar daquela sensação de que o dia não pode piorar, acontece.
Mesmo ao nosso lado - mesmo sentado ao nosso lado - e de repente percebemos que sempre esteve lá, acontece.
No metro, a ouvir musica de phones, como se o que vissemos fosse o pano da melodia, acontece.
Quando andamos por aquela rua, que pisámos centenas de vezes, quando os nossos glamorosos saltos tropeçam na calçada e ele nos agarra nos braços, não nos deixando cair, acontece.
No rebelião do reduzido espaço do corredor no escritório, num beijo de filme, cheio, acontece.
Eventualmente, apanha-nos desprevenidos, deixa-nos num segundo sem qualquer explicação, atrapalhados com a velocidade do ilógico que ultrapassa a da luz no vazio, deixa os mais loucos cientistas a investigar o valor da sua constante, a questionar sem perceber, ele acontece e não pára com o tempo nem com o avançar dos séculos.
No escuro
No silêncio
Acontece
A todos, a qualquer hora, em qualquer lugar.
A correr para apanhar o comboio, que está a sair da plataforma, quando um sorriso segura a porta, e acontece.
Nos jantares, rodeados de gente que conversa alto, quando as conversas ficam para barulho de fundo e em grande plano fica o erguer do copo de cristal, ele acontece.
Às 7h da manhã, o café acabou e descemos a avenida, quando o vemos sentado ao balcão, a soprar o cappucino, e acontece.
À espera que apareça um táxi, à chuva, quando ele aparece com um guarda-chuva para nos privar daquela sensação de que o dia não pode piorar, acontece.
Mesmo ao nosso lado - mesmo sentado ao nosso lado - e de repente percebemos que sempre esteve lá, acontece.
No metro, a ouvir musica de phones, como se o que vissemos fosse o pano da melodia, acontece.
Quando andamos por aquela rua, que pisámos centenas de vezes, quando os nossos glamorosos saltos tropeçam na calçada e ele nos agarra nos braços, não nos deixando cair, acontece.
No rebelião do reduzido espaço do corredor no escritório, num beijo de filme, cheio, acontece.
Eventualmente, apanha-nos desprevenidos, deixa-nos num segundo sem qualquer explicação, atrapalhados com a velocidade do ilógico que ultrapassa a da luz no vazio, deixa os mais loucos cientistas a investigar o valor da sua constante, a questionar sem perceber, ele acontece e não pára com o tempo nem com o avançar dos séculos.
No escuro
No silêncio
Acontece
A todos, a qualquer hora, em qualquer lugar.
Friday, May 23, 2008
Paralelismo
E, mais uma vez, estava no seu quarto de vestir.
A sua ama apertava-lhe o corpete "está bom senhora?" e apertava mais um pouco. Não posso respirar, não posso.
Com o vestido a esvoaçar pelo chão, vagueava fatalmente pelo grande corredor até ao Salão.
Passava as portas, que tantas vezes passara, aquelas portas altas e brancas. Os criados, aborrecidamente sincronizados, abriam-nas.
Não deixava de se deliciar com aquele espéctaculo. Clássico.
No jantar, ouvia política disparatada, economia decadente e a comida sabia-lhe mal. Caía-lhe pesada no estômago.
Não comentava mas sorria. Sabia que era isso que esperavam dela.
(...)
Depois da reunião que a deixava exausta, recebeu um telefonema, um avisozinho: era a vez dos rapazes jantarem no apartamento.
Acelerou. Voou até casa. Adiantou o jantar, desceu até à mercearia, ainda de avental. Faltava o gelo para a caipirinha.
Às 19h30 implorou por ajuda para pôr os pratos e os guardanapos na mesa e às 20h30 o jantar estava na mesa e os habituais primeiros a chegar perpetuavam a tradição.
Naquelas noites ela bebia. Sorria E bebia todos os golos da jornada do glorioso e concordava na pulhice da arbitragem.
Às 4h30, sonâmbula, acabava de arrumar a cozinha e apanhar as migalhas de nachos do tapete da sala, despejava o saco que tinha sido cheio apenas com garrafas de Super Bock. Pelo menos tinha o seu melhor amigo a seu lado, Syrah.
(...)
Branca como a porta do Salão, pálida, sufocada pelo corpete, retirou-se depois do café.
A tradição do habitual passeio no seu jardim perpetuava-se. Era dos poucos lugares do palacete que gostava, onde se sentia bem em sua casa.
Mas sentia. Sentia que havia alguma coisa.
"Podem retirar-se"
"Mas senhora..."
"Só me demoro alguns minutos"
Expulsava lentamente todos os vestígios que a pudessem distanciar daquele jardim. Só assim podia descobrir o que, naquela noite, havia de complementar.
Desperta mas embalada, virou o seu olhar um pouco mais e, no remate do jardim, viu uma sombra. Uma silhueta masculina.
Em pouco tempo, aquela silhueta mostrou um nome, mostrou um coração maior e deu-lhe a alma como quem a troca por um livro antigo. Mais do que alguma vez tinha ousado encontrar, mais do que alguma vez pudesse desejar.
Mais.
Mais do que alguma vez seria no seio daquele casamento economicamente perfeito.
Aquela sombra no jardim, abraçava-a às escondidas em encontros combinados, tornava-se lentamente no corpo que queria a criar calor humano com o seu. Passeios naquele jardim que lhes tinha dado o mote, naquelas horas avançadas da noite que os tinham apresentado.
Aquela mulher, havia descoberto o motivo do pó de arroz, havia descoberto a direcção que tinha de pedir a Deus, ao ajoelhar-se junto ao seu leito.
Mais do que receber, queria dar-se. Dar-se de corpo e alma, atributos e equilíbrio.
Lentamente aquela sombra misteriosa ganhou um corpo de homem e, ao mesmo ritmo, arrastava-a para a traição.
(...)
Nunca achou realmente que se reciclasse, mas não conseguia não o fazer. E, por isso, andava até ao próximo quarteirão.
Nunca pensou que pudesse ganhar dias mais radiantes, luminosos, apaixonantes.
Na rua do bairro, apenas com as luzes de estrada, travava uma batalha com o anel que tinha no seu dedo.
Primeiro, apenas porque estava cansada, deslizava ao seu sorriso, mas em pouco tempo essa paixão tornou-se mais forte, até apertar a distância, até matarem os segundos.
Mais encontros, mais horas de almoço na livraria que ele geria, encostados nas prateleiras a consumar a mais saborosa das derrotas. Tinha perdido a luta que travava com o compromisso de ouro, envolto, preso no seu dedo.
Enfeitiçada, ignorava o sentimento de culpa. O amor fascinava-a, cegava-a.
Entregava-lhe alegremente a felicidade ao domicilio.
(...)
A sua ama apertava-lhe o corpete "está bom senhora?" e apertava mais um pouco. Não posso respirar, não posso.
Com o vestido a esvoaçar pelo chão, vagueava fatalmente pelo grande corredor até ao Salão.
Passava as portas, que tantas vezes passara, aquelas portas altas e brancas. Os criados, aborrecidamente sincronizados, abriam-nas.
Não deixava de se deliciar com aquele espéctaculo. Clássico.
No jantar, ouvia política disparatada, economia decadente e a comida sabia-lhe mal. Caía-lhe pesada no estômago.
Não comentava mas sorria. Sabia que era isso que esperavam dela.
(...)
Depois da reunião que a deixava exausta, recebeu um telefonema, um avisozinho: era a vez dos rapazes jantarem no apartamento.
Acelerou. Voou até casa. Adiantou o jantar, desceu até à mercearia, ainda de avental. Faltava o gelo para a caipirinha.
Às 19h30 implorou por ajuda para pôr os pratos e os guardanapos na mesa e às 20h30 o jantar estava na mesa e os habituais primeiros a chegar perpetuavam a tradição.
Naquelas noites ela bebia. Sorria E bebia todos os golos da jornada do glorioso e concordava na pulhice da arbitragem.
Às 4h30, sonâmbula, acabava de arrumar a cozinha e apanhar as migalhas de nachos do tapete da sala, despejava o saco que tinha sido cheio apenas com garrafas de Super Bock. Pelo menos tinha o seu melhor amigo a seu lado, Syrah.
(...)
Branca como a porta do Salão, pálida, sufocada pelo corpete, retirou-se depois do café.
A tradição do habitual passeio no seu jardim perpetuava-se. Era dos poucos lugares do palacete que gostava, onde se sentia bem em sua casa.
Mas sentia. Sentia que havia alguma coisa.
"Podem retirar-se"
"Mas senhora..."
"Só me demoro alguns minutos"
Expulsava lentamente todos os vestígios que a pudessem distanciar daquele jardim. Só assim podia descobrir o que, naquela noite, havia de complementar.
Desperta mas embalada, virou o seu olhar um pouco mais e, no remate do jardim, viu uma sombra. Uma silhueta masculina.
Em pouco tempo, aquela silhueta mostrou um nome, mostrou um coração maior e deu-lhe a alma como quem a troca por um livro antigo. Mais do que alguma vez tinha ousado encontrar, mais do que alguma vez pudesse desejar.
Mais.
Mais do que alguma vez seria no seio daquele casamento economicamente perfeito.
Aquela sombra no jardim, abraçava-a às escondidas em encontros combinados, tornava-se lentamente no corpo que queria a criar calor humano com o seu. Passeios naquele jardim que lhes tinha dado o mote, naquelas horas avançadas da noite que os tinham apresentado.
Aquela mulher, havia descoberto o motivo do pó de arroz, havia descoberto a direcção que tinha de pedir a Deus, ao ajoelhar-se junto ao seu leito.
Mais do que receber, queria dar-se. Dar-se de corpo e alma, atributos e equilíbrio.
Lentamente aquela sombra misteriosa ganhou um corpo de homem e, ao mesmo ritmo, arrastava-a para a traição.
(...)
Nunca achou realmente que se reciclasse, mas não conseguia não o fazer. E, por isso, andava até ao próximo quarteirão.
Nunca pensou que pudesse ganhar dias mais radiantes, luminosos, apaixonantes.
Na rua do bairro, apenas com as luzes de estrada, travava uma batalha com o anel que tinha no seu dedo.
Primeiro, apenas porque estava cansada, deslizava ao seu sorriso, mas em pouco tempo essa paixão tornou-se mais forte, até apertar a distância, até matarem os segundos.
Mais encontros, mais horas de almoço na livraria que ele geria, encostados nas prateleiras a consumar a mais saborosa das derrotas. Tinha perdido a luta que travava com o compromisso de ouro, envolto, preso no seu dedo.
Enfeitiçada, ignorava o sentimento de culpa. O amor fascinava-a, cegava-a.
Entregava-lhe alegremente a felicidade ao domicilio.
(...)
Monday, May 5, 2008
(atrasado)
Alguns descobriram ontem
Alguns vão encontrar amanhã por mero acaso
Alguns nunca tiveram a chance de encontrar, nem ouvir falar dos seus métodos
Alguns ouviram falar por outros.
Certo, é que existe.
Refuto todas as hipóteses daqueles grandes filósofos. Certamente nunca sentiram o prazer de ter alguma certeza.
Mas hoje, estas palavras, são de comemoração!
Proponho um brinde.
Ergam as taças de champagne borbulhante e sorriam.
Podem dispensar a razão do brinde e, secretamente, brindar à vossa.
Eu brindo ao passar do tempo. Aos 365 longos dias. Cada um desses com 24h e cada uma dessas horas com 60 apaixonantes minutos, e em cada um desses minutos há 60 segundos que estão absolutamente repletos de ti.
Brindo à certeza do meu crescimento como pessoa e aproveito para agradecer brindando aos que me acompanham.
Penso, e resolvo mudar de visual.
Aquelas letras cansaram-me a vista e aquelas cores embaciaram-me a alma.
Dias, horas e segundos de papel.
Um ano de páginas.
Alguns vão encontrar amanhã por mero acaso
Alguns nunca tiveram a chance de encontrar, nem ouvir falar dos seus métodos
Alguns ouviram falar por outros.
Certo, é que existe.
Refuto todas as hipóteses daqueles grandes filósofos. Certamente nunca sentiram o prazer de ter alguma certeza.
Mas hoje, estas palavras, são de comemoração!
Proponho um brinde.
Ergam as taças de champagne borbulhante e sorriam.
Podem dispensar a razão do brinde e, secretamente, brindar à vossa.
Eu brindo ao passar do tempo. Aos 365 longos dias. Cada um desses com 24h e cada uma dessas horas com 60 apaixonantes minutos, e em cada um desses minutos há 60 segundos que estão absolutamente repletos de ti.
Brindo à certeza do meu crescimento como pessoa e aproveito para agradecer brindando aos que me acompanham.
Penso, e resolvo mudar de visual.
Aquelas letras cansaram-me a vista e aquelas cores embaciaram-me a alma.
Dias, horas e segundos de papel.
Um ano de páginas.
Saturday, April 19, 2008
Desculpem a ausência
mas retirei-me para viver.
Voltei só para escrever poesia que não rima, mas que mesmo assim te soa à poesia épica de Camões.
As palavras esgotaram-se, a pele está gasta, as rugas presentes e, a vontade embarcou no navio da semana passada.
No regresso, apenas consegui encontrar a cera derretida das velas que deixaste no chão. É raro.
Era raro esqueceres-te de as apagar... era raro esqueceres-me.
mas retirei-me para viver.
Voltei só para escrever poesia que não rima, mas que mesmo assim te soa à poesia épica de Camões.
As palavras esgotaram-se, a pele está gasta, as rugas presentes e, a vontade embarcou no navio da semana passada.
No regresso, apenas consegui encontrar a cera derretida das velas que deixaste no chão. É raro.
Era raro esqueceres-te de as apagar... era raro esqueceres-me.
Monday, April 7, 2008
Noite de Estreia
Hoje foi mais uma estreia absoluta.Nela não podes ser nada senão o protagonista.
Toda a gente te dava os parabéns mesmo antes de entrares em palco e antes mesmo de dizeres alguma coisa que os merecesse.
Sucesso. É isso que as pessoas esperam de ti, desde o primeiro instante.
Não está vento. Parece que escolheste a noite perfeita. Ou que ela se tornou perfeita à tua medida.
Lá fora, fumas o último cigarro antes de entrar, encostado à parede.
Mas eu sei como tu adoras os bastidores.
Entraste no meu camarim e roubaste o meu papel, apoderaste-te dele como se nunca me tivesse pertencido. Desde então, apetece-te o sabor a bastidores.
Mas está na hora, dizem-te.
E tu, ansioso mas cansado, nervoso mas entediado, passas uma última olhada no guião.
E estás pronto. Não podes não estar.
Segundos antes de entrares escolhes uma das muitas máscaras que tens.
E sem te aperceberes, estás em palco.
E eu sei que tu adoras o palco.
Todas as atenções centradas em ti, a receberem-te com aplausos. Deve ser bom voar assim.
Na noite de estreia divirto-me a descobrir a tua máscara. O que há nela que, desta vez, é verdadeiro e o que, hoje, tu interpretas.
E eu sei de todos os teus truques e conheço todas as tuas manias.
Do palco, tu ouves-me, sentes-me.
Procuras-me sem te desconcentrares mas não consegues. Há demasiados focos, há demasiados rostos.
Ajeitas o nó da gravata e aí eu sei como te sufoca.
No fim, chovem rosas aos teus pés.
E eu sei como tu adoras essa vida de actor, como a magia de ser quem queres te seduz.
Porque para ti é isto.
A vida, nós, a pele, o pano a cair.
Somos uma peça numa noite de estreia.
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