Às vezes é preciso que um conjunto de factores se reúnam para alguma coisa acontecer.
Por exemplo, para eu escrever alguma coisa, passados anos, é preciso apanhar-me numa noite de insónia e com uma música que estabeleça o mood. Calma, tranquila e com uma letra curta, directa e emocional. Se bebesse, seria preciso um bom copo de vinho tinto.
Esta é uma dessas noites, e já são 4h e tal da manhã...
Começo a pensar e a aperceber-me que não me lembro de me sentir realmente completa.
Quer dizer, lembro-me de me sentir feliz, alegre, triste, deprimida, quase a chorar, tão feliz que dei saltinhos ou tão esmagada pelo mundo que só me apetecia passar o dia na cama a olhar para o nada.
No entanto, olhando para trás, sempre me faltou alguma coisa. Será possível?
Quando me sentia rodeada de amigos e caras novas, voltava para uma casa e família em ruínas ao final do dia. Quando me sentia bem sucedida, faltavam-me as pessoas com quem partilho o meu último nome para repartir essa sensação de realização. Quando me perdia nas horas com os amigos a quem chamo família ficava sempre a sensação de que era efémero, como um gosto amargo que não se consegue disfarçar... Que, mais tarde ou mais cedo, iria perder tudo aquilo que era rotina, todas as presenças que me eram tão necessárias para viver, para existir, para funcionar. Quando as palavras e ideias me fluíam constantemente... essa foi a altura em que me senti mais sozinha e só queria crescer depressa para passar tudo à frente.
Mas a vida não é fácil, ou a minha parece não ser, tanto que quando cresci e passei à frente, as palavras e as ideias deixaram de me visitar e, pouco a pouco, é como se o meu cérebro se ajustasse só àquelas palavras científicas, exactas, cruas e objectivas.
Agora, não podia estar mais longe do que era o meu mundo há 6 meses, há um ano... E a diferença entre esses mundos está a começar a pesar.
Pergunto-me, afinal que factores se terão de reunir para me sentir completa? E porque parece tão difícil recolhê-los a todos e apertá-los num abraço bem forte para que nunca mais escapem do meu alcance?
Não sou assim tão velha (em idade) quanto isso mas lembro-me de pensar no que seria o meu futuro e ficar entusiasmada com o que poderia alcançar, com as pessoas que poderia conhecer e os planos que faria com as pessoas que continuariam ao meu lado, como sempre. Pela primeira vez olho o meu futuro a medo. Medo que esta vida me tenha obrigado a partir o meu coração em várias partes e a espalhá-las bem longe umas das outras.
Parece que não posso ter uma coisa sem abdicar das outras e assim o meu corpo vai-se cansando e vai-se anestesiando.
Caramba vida, também não sou assim tão exigente, portanto por que raio me sinto tão incapaz?
Era só para te lembrar que me deste força suficiente para levantar mais vezes do que aquelas que caio e que sempre me obriguei a seguir em frente, mesmo sendo lá à minha maneira estranha e sempre com um preço que, mais tarde ou mais cedo, acabaria por pagar.
Hei-de reunir todas as pecinhas e hei-de me sentir tão completa, tão cheia, que quase rebento...
Saturday, October 18, 2014
Thursday, May 30, 2013
Landslide
I took my love and I took it down
I climbed a mountain and I turned around
And I saw my reflection in the snow covered hills
'Till the landslide brought me down
Oh, mirror in the sky
What is love?
Can the child within my heart rise above?
Can I sail thru the changing ocean tides?
Can I handle the seasons of my life?
Mmm Mmm...
Well, I've been afraid of changing
'Cause I've built my life around you
But time makes you bolder
Children get older
I'm getting older too
Well, I've been afraid of changing
'Cause I, I built my life around you
But time makes you bolder
Children get older
I'm getting older too
I'm getting older too
So, take my love, take it down
Oh climb a mountain and turn around
If you see my reflection in the snow covered hills
Well the landslide will bring you down, down
And If you see my reflection in the snow covered hills
Well maybe the landslide will bring it down
Oh oh, the landslide will bring it down
http://www.youtube.com/watch?v=i0ans1ukv4M
I climbed a mountain and I turned around
And I saw my reflection in the snow covered hills
'Till the landslide brought me down
Oh, mirror in the sky
What is love?
Can the child within my heart rise above?
Can I sail thru the changing ocean tides?
Can I handle the seasons of my life?
Mmm Mmm...
Well, I've been afraid of changing
'Cause I've built my life around you
But time makes you bolder
Children get older
I'm getting older too
Well, I've been afraid of changing
'Cause I, I built my life around you
But time makes you bolder
Children get older
I'm getting older too
I'm getting older too
So, take my love, take it down
Oh climb a mountain and turn around
If you see my reflection in the snow covered hills
Well the landslide will bring you down, down
And If you see my reflection in the snow covered hills
Well maybe the landslide will bring it down
Oh oh, the landslide will bring it down
http://www.youtube.com/watch?v=i0ans1ukv4M
C
Lembro-me de sentir uma grande vontade de saber toda a sua história.
Tinham já passado alguns meses desde que tínhamos sido (in)formalmente
apresentadas e, confesso, especulei sobre o seu charme e inteligência.
E de repente, ali, sem saber explicar porquê, queria sentar-me com uma
chávena quente de um chá aromático nas mãos e ouvir toda a sua história.
A sensação de que à minha frente estaria o resultado de anos de uma
vida plena e cheia invadiu-me. Certamente conseguia ouvir algumas cicatrizes na
sua voz, só quem já foi calcado pela vida poderia ser obrigado a crescer assim tão
depressa.
Talvez tenham sido os maneirismos tão peculiarmente adultos ou a
maneira como ocupava o seu lugar.
Eramos um grupo de jovens de sangue a fervilhar, prontos a balbuciar o
maior disparate e a delinear o plano mais louco, mas ela não. Penso que talvez
seja então o contraste entre toda a gente naquele grupo e a sua postura que
indicassem uma alma amadurecida.
O cenário que imagino neste preciso momento é de uma tarde de sábado
preguiçosa. Estávamos juntos na sala a conversar e a rir, tranquilos mas com uma
energia pronta a explodir a qualquer momento.
- Devíamos acender a lareira. Disse ela.
Pareceu a coisa mais adulta que alguém poderia ter sugerido naquela
altura. Por sua vez, aquela frase sugeria uma pessoa independente. Senti que
tinha sido transportada 10 anos para o futuro e que aquela seria a sua casa e
nós os seus convidados para o jantar.
Foi este o momento chave que prendeu a minha curiosidade. Como pode
uma coisa tão banal como lenha e fogo cativar-me e despertar em mim o inteiro
interesse?
Depois disso, foi tudo tão rápido que deixa um grande espaço cheio de
saudade.
É fantástico conhecer alguém de quem aprendemos a gostar tanto. Tudo é
novidade, tudo tem uma nova perspectiva e, absolutamente tudo, são detalhes
deliciosos de absorver.
Afinal, não me contou toda a sua história. Fui antes eu quem a
descobriu.
Por a ter decifrado e conhecido em degraus tão perfeitamente
construídos é que talvez consiga explicá-la e entende-la tão bem.
Por outro lado, sempre haverá detalhes que me surpreendem por
completo. Um comentário, uma opinião, um sentimento tímido e mascarado ou só um
gesto imprevisível.
O mais belo
é mútuo. E assim somos nós. Mesmo longe, mesmo sem me olhar, não há outra
pessoa que me conheça tão claramente, para quem seja tão transparente.
Espero que
saibas, assim como eu o sei, que quando te pergunto ou confesso algo, tens a
dose certa de ousadia, tranquilidade e verdade para responder.
Para ti,
para acabar este texto, teria que escrever todo um livro. E nem assim faria
justiça a tudo o que houve, há e ainda está para vir.
Quando penso
em ti, penso em felicidade. Penso em alguém com carácter, com cultura, penso em
amor, penso em verão, penso em singularidade.
Os meus
melhores momentos foram contigo e nos meus piores estavas lá para me amparar
quando e quanto precisei.
Relembrar a
rotina dos nossos dias é só por si uma saudade enorme e espero poder matá-la em
breve.
A outra face
Cada passo que tomava em direcção ao portão de embarque era um passo
que a afastava de tudo o que tinha como certo. Afastava-a dos que estiveram
sempre presentes desde que se tinha como gente. Afastava-a de tudo o que era
território conhecido. De tudo o que conhecia e de tudo o que lhe pertencia.
Agora já só tinha a sua mochila às costas, que apenas tinha livros e
documentos pessoais mas parecia pesar uma vida inteira.
Com o aumento da distância sentia o aumento de um vazio que não
conseguia muito bem explicar e, no entanto, lhe parecia familiar por alguma
razão.
Ainda sentia o abraço apertado do seu pai e a sua imagem estava
gravada na sua mente. Como se sentira sozinha quando olhou para trás e naquele
homem viu todos os pilares da sua existência.
Esta é a história da sua Viagem. Sim, com maiúscula…
Só damos o devido valor ao que temos quando já não nos pertence. Se há
cliché que de facto é verdade é este.
Só se aprende a dar valor ao calor de chegar a casa para uma família
quando já só as paredes e a mobília nos recebem, só se dá valor a jantar com
amigos quando jantamos em frente ao computador e só se dá valor aos costumes
quando já não temos ninguém com quem os partilhar.
‘Costumes’. Esta é uma das condições a que o ser humano terá de se
render: ficar acostumado, acomodado, habituado a alguém ou a algures.
Por vezes esta comodidade é estonteante e caímos num estado de
anestesia sem sequer notarmos. Como se a nossa vida corresse em modo de auto
piloto, todos os dias e gestos iguais.
O primeiro instinto é querer fugir, querer mudar… E nem sempre é prático
remover o chão que pisamos mas se a vontade de descobrir o que esse mundo
esconde é maior que o corpo, então não há nenhum limite.
E era isso que procurava, que precisava mais do que sabia dizer.
“Quando se sonha em voar só há duas coisas a fazer”, pensou… “Ganhar
asas e resistir ao rastejar”.
E assim foi, de espírito livre e mente aberta, à procura do que lhe
faltava, do que se encontrava do lado oposto do muro alto do jardim, do que não
possuía naquele lugar exausto.
Para lá daquelas portas de aeroporto tudo era novo. À sua volta não
havia feições que conhecia mas sim uma extraordinária harmonia de etnias.
Deixou-se consumir pelo ruído urbano, pelo som dos passos, pelos
risos, pelos diferentes dialectos e perfumes. Conheceu uma cidade inquietante e
jovem, vivendo através de uma perspectiva que nunca ousara até então.
Naquele momento, não foi difícil perceber porque deixara tudo o que
lhe era querido. Aquela liberdade absoluta permitiu-lhe espaço para crescer,
abriu-lhe caminhos que julgava inexistentes, construiu novas amizades e, acima
de tudo, ofereceu-lhe oportunidades que só um país novo consegue proporcionar.
Em pouco tempo passou a fazer parte integrante daquele ruído, daqueles
risos e daquele ambiente.
Sentia-se no seu habitat natural, rodeada de pessoas com raízes
completamente diferentes, a criar e conhecer novos costumes. Finalmente,
jantares em lugares desconhecidos a experimentar novos sabores à média luz.
Já diz o povo que nunca estamos satisfeitos e não seria certamente a
excepção.
Como saberia se aquele novo lugar era o que ansiava encontrar se
sentia um vazio. Continuava a faltar alguma coisa, algum lugar, alguém.
Foi então que reparou. Estava constantemente a dizer Adeus.
Adeus família e amigos de sempre, vou partir em busca dos meus sonhos.
Adeus amigos, vou finalmente voltar a ver a minha família e amigos de
sempre! Fiquem bem, uma santa Páscoa e lembrem-se de usar os ovos que deixei no
frigorífico antes que estraguem, por favor.
Teve então um medo de que o realizar dos seus sonhos e tudo o resto
que amava, nunca se iriam encontrar num só lugar. Teria que viver toda uma vida
incompleta. Sempre com uma parte de si em falta.
Que verdade mais destroçante.
Tuesday, October 9, 2012
When you're ready, just say you're ready
When all the baggage just ain't as heavy
And the parties over, just don't forget me
We'll change the pace and we'll just go slow
You won't ever have to worry,
You won't ever have to hide,
You've seen all my mistakes,
So look me in my eyes.
'Cause if you let me, here's what I'll do
I'll take care of you
When all the baggage just ain't as heavy
And the parties over, just don't forget me
We'll change the pace and we'll just go slow
You won't ever have to worry,
You won't ever have to hide,
You've seen all my mistakes,
So look me in my eyes.
'Cause if you let me, here's what I'll do
I'll take care of you
Drake feat. Rihanna - Take Care
Friday, February 3, 2012
Monday, May 23, 2011
Monday, April 18, 2011
Friends with benefits Part Two
The problem is she thinks too much.
One minute she's feeling a rush of blood to the head and risks something really brave and spontaneous and the very next she's taking a step back.
This time... She didn't.
Maybe it was the wine, maybe it was desire, maybe it was a hidden passion ready to come out of the shell (really well closed shell). In that moment none of it mattered though.
When she came to her senses they had abandoned the pans and pots. Instead of a step back she took a step forward, she realized. They were kissing. Long, intense kisses.
That sensation of being on auto-pilot, absolutely unware of the existence of a world outside the window was all she needed. His arms around her felt like all kinds of right.
Kitchen counters, table tops, against the walls...
A bright '3.19 am' wakes her up. 'Hey! Do you want some pasta now? You must be starving... at least I am'.
He had seen her on a whole new level. She sees him differently too. They can't help but exchange loving and affectionate looks as they smile to one another.
The thinking and rationalizing kicks in again...
Could they be the friends they were again?
As soon as she leaves the apartment all those feelings are left behind.
Then why is she still searching for his perfume on her clothes?
One minute she's feeling a rush of blood to the head and risks something really brave and spontaneous and the very next she's taking a step back.
This time... She didn't.
Maybe it was the wine, maybe it was desire, maybe it was a hidden passion ready to come out of the shell (really well closed shell). In that moment none of it mattered though.
When she came to her senses they had abandoned the pans and pots. Instead of a step back she took a step forward, she realized. They were kissing. Long, intense kisses.
That sensation of being on auto-pilot, absolutely unware of the existence of a world outside the window was all she needed. His arms around her felt like all kinds of right.
Kitchen counters, table tops, against the walls...
A bright '3.19 am' wakes her up. 'Hey! Do you want some pasta now? You must be starving... at least I am'.
He had seen her on a whole new level. She sees him differently too. They can't help but exchange loving and affectionate looks as they smile to one another.
The thinking and rationalizing kicks in again...
Could they be the friends they were again?
As soon as she leaves the apartment all those feelings are left behind.
Then why is she still searching for his perfume on her clothes?
Saturday, February 12, 2011
Friends with benefits Part One
Picture this:
Two friends, in their twenty-something's - who had the opportunity to be more than friends at some point but were not - and still they keep in touch. They like each other's company too much to just cut it off and so they meet a few times.
This time he was cooking dinner for her since he has been bragging about his cooking skills since they first met, so she drove to his apartment at 7pm...
They opened a bottle of wine that was meant to accompany dinner and talked while he juggled the frying pan's in both hands. The food was smelling delicious and the conversation was delightful
He was leaning towards the stove, waiting for the pasta to cook, and all of a sudden she goes under his right arm and stands between him and the boiling pot
-What if I kissed you... right now? she whispered with her lips about a millimeter apart from his
Two friends, in their twenty-something's - who had the opportunity to be more than friends at some point but were not - and still they keep in touch. They like each other's company too much to just cut it off and so they meet a few times.
This time he was cooking dinner for her since he has been bragging about his cooking skills since they first met, so she drove to his apartment at 7pm...
They opened a bottle of wine that was meant to accompany dinner and talked while he juggled the frying pan's in both hands. The food was smelling delicious and the conversation was delightful
He was leaning towards the stove, waiting for the pasta to cook, and all of a sudden she goes under his right arm and stands between him and the boiling pot
-What if I kissed you... right now? she whispered with her lips about a millimeter apart from his
Monday, January 10, 2011
Renascer dos Mortos
Ok, agora que o meu blogue está oficialmente morto e enterrado posso falar sem ninguém me ouvir (digamos que dois anos e tal é uma quantidade de tempo considerável).
Voltei à carga! Pressinto que isto é passageiro though, não se exaltem (whoever is reading this anyway)...
Acho que vos devo uns updates, no mínimo. Bem, desde a última vez que escrevi já se passaram algumas coisas: houve alguns rapazes (drama), entrei para a faculdade (mais drama), perdi algumas amizades e ganhei outras, viajei, saí de casa, discuti, chorei, etc which brings me here...
Um dia inteiro fechada em casa com gripe, John Mayer tracks e chá e estou pronta para desabafar
A verdade é que não estou assim tão diferente, continuo a ser bipolar no que toca a relações com as pessoas em geral. Ou me apego demasiado ou então há uma desconexão total.
Para ser sincera a parte da desconexão total dá jeito ás vezes, mas na maior parte do tempo acho incrível como posso ter desenvolvido este sistema para lidar com as pessoas que me magoam.
É assustador como tenho a capacidade de nutrir absolutamente ZERO sentimentos, não sinto raiva, ciúmes, saudade, NADA!
No que toca a amizades o caso muda de figura...
Não digo que seja raro encontrar pessoas que me cativem mas o facto é que há muito poucas que o consigam fazer e devo estar a portar-me bem porque o Pai Natal tem trazido algumas ao meu encontro.
Continuando, o que acontece é que conheço uma pessoa que me cativa e é como se ficasse presa. Dá-me um enorme prazer conhecer essa pessoa melhor portanto sou muito observadora e curiosa nos primeiros tempos. I sink in all the things they have to teach
E aprendo imenso, a sério. Posso afirmar que é das coisas que me dá maior prazer, admirar assim uma pessoa ao ponto de aprender alguma coisa sobre ela (ou sobre qualquer outro assunto) todos os dias.
E aqui, neste caso, é completamente o contrário, sinto demasiado (very Álvaro de Campos of me, yes)
Sinto ciúmes e saudade. E odeio que isso me aconteça porque, por muito que queira incutir isso no meu cérebro, não dá, vou querer sempre que tudo o que dou numa amizade seja correspondido e que haja provas disso.
O que me irrita mais é ser tão fria com umas pessoas e, quando comparada com os meus amigos mais próximos, ser eu a needy carinhosa.
Será assim tão egoísta pedir daquelas mensagens que queremos guardar para sempre, de vez em quando? quanto mais raras melhor para saberem genuinamente bem. Ou uma surpresa qualquer... Qualquer coisa que me faça pensar 'Sim, este indivíduo gosta de mim a sério'
E eu sei, eu sei que este tipo de coisas sabem-se pelos actos mas para mim as palavras também têm significado.
Bem, digamos que me tenho andado a sentir muito sozinha nos últimos tempos e, sinceramente, custa-me e deixa-me de rastos
Gostava de conseguir explicar-me melhor sobre este assunto mas os pensamentos são muitos e as palavras não têm velocidade suficiente para os acompanhar...
All i know is that I miss you
Voltei à carga! Pressinto que isto é passageiro though, não se exaltem (whoever is reading this anyway)...
Acho que vos devo uns updates, no mínimo. Bem, desde a última vez que escrevi já se passaram algumas coisas: houve alguns rapazes (drama), entrei para a faculdade (mais drama), perdi algumas amizades e ganhei outras, viajei, saí de casa, discuti, chorei, etc which brings me here...
Um dia inteiro fechada em casa com gripe, John Mayer tracks e chá e estou pronta para desabafar
A verdade é que não estou assim tão diferente, continuo a ser bipolar no que toca a relações com as pessoas em geral. Ou me apego demasiado ou então há uma desconexão total.
Para ser sincera a parte da desconexão total dá jeito ás vezes, mas na maior parte do tempo acho incrível como posso ter desenvolvido este sistema para lidar com as pessoas que me magoam.
É assustador como tenho a capacidade de nutrir absolutamente ZERO sentimentos, não sinto raiva, ciúmes, saudade, NADA!
No que toca a amizades o caso muda de figura...
Não digo que seja raro encontrar pessoas que me cativem mas o facto é que há muito poucas que o consigam fazer e devo estar a portar-me bem porque o Pai Natal tem trazido algumas ao meu encontro.
Continuando, o que acontece é que conheço uma pessoa que me cativa e é como se ficasse presa. Dá-me um enorme prazer conhecer essa pessoa melhor portanto sou muito observadora e curiosa nos primeiros tempos. I sink in all the things they have to teach
E aprendo imenso, a sério. Posso afirmar que é das coisas que me dá maior prazer, admirar assim uma pessoa ao ponto de aprender alguma coisa sobre ela (ou sobre qualquer outro assunto) todos os dias.
E aqui, neste caso, é completamente o contrário, sinto demasiado (very Álvaro de Campos of me, yes)
Sinto ciúmes e saudade. E odeio que isso me aconteça porque, por muito que queira incutir isso no meu cérebro, não dá, vou querer sempre que tudo o que dou numa amizade seja correspondido e que haja provas disso.
O que me irrita mais é ser tão fria com umas pessoas e, quando comparada com os meus amigos mais próximos, ser eu a needy carinhosa.
Será assim tão egoísta pedir daquelas mensagens que queremos guardar para sempre, de vez em quando? quanto mais raras melhor para saberem genuinamente bem. Ou uma surpresa qualquer... Qualquer coisa que me faça pensar 'Sim, este indivíduo gosta de mim a sério'
E eu sei, eu sei que este tipo de coisas sabem-se pelos actos mas para mim as palavras também têm significado.
Bem, digamos que me tenho andado a sentir muito sozinha nos últimos tempos e, sinceramente, custa-me e deixa-me de rastos
Gostava de conseguir explicar-me melhor sobre este assunto mas os pensamentos são muitos e as palavras não têm velocidade suficiente para os acompanhar...
All i know is that I miss you
Saturday, June 28, 2008
Love Happens
Ao virar da esquina, vamos contra ele e deixamos cair os nossos livros. Baixamo-nos para os apanhar e é nesse momento que as mãos se tocam, e acontece.
A correr para apanhar o comboio, que está a sair da plataforma, quando um sorriso segura a porta, e acontece.
Nos jantares, rodeados de gente que conversa alto, quando as conversas ficam para barulho de fundo e em grande plano fica o erguer do copo de cristal, ele acontece.
Às 7h da manhã, o café acabou e descemos a avenida, quando o vemos sentado ao balcão, a soprar o cappucino, e acontece.
À espera que apareça um táxi, à chuva, quando ele aparece com um guarda-chuva para nos privar daquela sensação de que o dia não pode piorar, acontece.
Mesmo ao nosso lado - mesmo sentado ao nosso lado - e de repente percebemos que sempre esteve lá, acontece.
No metro, a ouvir musica de phones, como se o que vissemos fosse o pano da melodia, acontece.
Quando andamos por aquela rua, que pisámos centenas de vezes, quando os nossos glamorosos saltos tropeçam na calçada e ele nos agarra nos braços, não nos deixando cair, acontece.
No rebelião do reduzido espaço do corredor no escritório, num beijo de filme, cheio, acontece.
Eventualmente, apanha-nos desprevenidos, deixa-nos num segundo sem qualquer explicação, atrapalhados com a velocidade do ilógico que ultrapassa a da luz no vazio, deixa os mais loucos cientistas a investigar o valor da sua constante, a questionar sem perceber, ele acontece e não pára com o tempo nem com o avançar dos séculos.
No escuro
No silêncio
Acontece
A todos, a qualquer hora, em qualquer lugar.
A correr para apanhar o comboio, que está a sair da plataforma, quando um sorriso segura a porta, e acontece.
Nos jantares, rodeados de gente que conversa alto, quando as conversas ficam para barulho de fundo e em grande plano fica o erguer do copo de cristal, ele acontece.
Às 7h da manhã, o café acabou e descemos a avenida, quando o vemos sentado ao balcão, a soprar o cappucino, e acontece.
À espera que apareça um táxi, à chuva, quando ele aparece com um guarda-chuva para nos privar daquela sensação de que o dia não pode piorar, acontece.
Mesmo ao nosso lado - mesmo sentado ao nosso lado - e de repente percebemos que sempre esteve lá, acontece.
No metro, a ouvir musica de phones, como se o que vissemos fosse o pano da melodia, acontece.
Quando andamos por aquela rua, que pisámos centenas de vezes, quando os nossos glamorosos saltos tropeçam na calçada e ele nos agarra nos braços, não nos deixando cair, acontece.
No rebelião do reduzido espaço do corredor no escritório, num beijo de filme, cheio, acontece.
Eventualmente, apanha-nos desprevenidos, deixa-nos num segundo sem qualquer explicação, atrapalhados com a velocidade do ilógico que ultrapassa a da luz no vazio, deixa os mais loucos cientistas a investigar o valor da sua constante, a questionar sem perceber, ele acontece e não pára com o tempo nem com o avançar dos séculos.
No escuro
No silêncio
Acontece
A todos, a qualquer hora, em qualquer lugar.
Friday, May 23, 2008
Paralelismo
E, mais uma vez, estava no seu quarto de vestir.
A sua ama apertava-lhe o corpete "está bom senhora?" e apertava mais um pouco. Não posso respirar, não posso.
Com o vestido a esvoaçar pelo chão, vagueava fatalmente pelo grande corredor até ao Salão.
Passava as portas, que tantas vezes passara, aquelas portas altas e brancas. Os criados, aborrecidamente sincronizados, abriam-nas.
Não deixava de se deliciar com aquele espéctaculo. Clássico.
No jantar, ouvia política disparatada, economia decadente e a comida sabia-lhe mal. Caía-lhe pesada no estômago.
Não comentava mas sorria. Sabia que era isso que esperavam dela.
(...)
Depois da reunião que a deixava exausta, recebeu um telefonema, um avisozinho: era a vez dos rapazes jantarem no apartamento.
Acelerou. Voou até casa. Adiantou o jantar, desceu até à mercearia, ainda de avental. Faltava o gelo para a caipirinha.
Às 19h30 implorou por ajuda para pôr os pratos e os guardanapos na mesa e às 20h30 o jantar estava na mesa e os habituais primeiros a chegar perpetuavam a tradição.
Naquelas noites ela bebia. Sorria E bebia todos os golos da jornada do glorioso e concordava na pulhice da arbitragem.
Às 4h30, sonâmbula, acabava de arrumar a cozinha e apanhar as migalhas de nachos do tapete da sala, despejava o saco que tinha sido cheio apenas com garrafas de Super Bock. Pelo menos tinha o seu melhor amigo a seu lado, Syrah.
(...)
Branca como a porta do Salão, pálida, sufocada pelo corpete, retirou-se depois do café.
A tradição do habitual passeio no seu jardim perpetuava-se. Era dos poucos lugares do palacete que gostava, onde se sentia bem em sua casa.
Mas sentia. Sentia que havia alguma coisa.
"Podem retirar-se"
"Mas senhora..."
"Só me demoro alguns minutos"
Expulsava lentamente todos os vestígios que a pudessem distanciar daquele jardim. Só assim podia descobrir o que, naquela noite, havia de complementar.
Desperta mas embalada, virou o seu olhar um pouco mais e, no remate do jardim, viu uma sombra. Uma silhueta masculina.
Em pouco tempo, aquela silhueta mostrou um nome, mostrou um coração maior e deu-lhe a alma como quem a troca por um livro antigo. Mais do que alguma vez tinha ousado encontrar, mais do que alguma vez pudesse desejar.
Mais.
Mais do que alguma vez seria no seio daquele casamento economicamente perfeito.
Aquela sombra no jardim, abraçava-a às escondidas em encontros combinados, tornava-se lentamente no corpo que queria a criar calor humano com o seu. Passeios naquele jardim que lhes tinha dado o mote, naquelas horas avançadas da noite que os tinham apresentado.
Aquela mulher, havia descoberto o motivo do pó de arroz, havia descoberto a direcção que tinha de pedir a Deus, ao ajoelhar-se junto ao seu leito.
Mais do que receber, queria dar-se. Dar-se de corpo e alma, atributos e equilíbrio.
Lentamente aquela sombra misteriosa ganhou um corpo de homem e, ao mesmo ritmo, arrastava-a para a traição.
(...)
Nunca achou realmente que se reciclasse, mas não conseguia não o fazer. E, por isso, andava até ao próximo quarteirão.
Nunca pensou que pudesse ganhar dias mais radiantes, luminosos, apaixonantes.
Na rua do bairro, apenas com as luzes de estrada, travava uma batalha com o anel que tinha no seu dedo.
Primeiro, apenas porque estava cansada, deslizava ao seu sorriso, mas em pouco tempo essa paixão tornou-se mais forte, até apertar a distância, até matarem os segundos.
Mais encontros, mais horas de almoço na livraria que ele geria, encostados nas prateleiras a consumar a mais saborosa das derrotas. Tinha perdido a luta que travava com o compromisso de ouro, envolto, preso no seu dedo.
Enfeitiçada, ignorava o sentimento de culpa. O amor fascinava-a, cegava-a.
Entregava-lhe alegremente a felicidade ao domicilio.
(...)
A sua ama apertava-lhe o corpete "está bom senhora?" e apertava mais um pouco. Não posso respirar, não posso.
Com o vestido a esvoaçar pelo chão, vagueava fatalmente pelo grande corredor até ao Salão.
Passava as portas, que tantas vezes passara, aquelas portas altas e brancas. Os criados, aborrecidamente sincronizados, abriam-nas.
Não deixava de se deliciar com aquele espéctaculo. Clássico.
No jantar, ouvia política disparatada, economia decadente e a comida sabia-lhe mal. Caía-lhe pesada no estômago.
Não comentava mas sorria. Sabia que era isso que esperavam dela.
(...)
Depois da reunião que a deixava exausta, recebeu um telefonema, um avisozinho: era a vez dos rapazes jantarem no apartamento.
Acelerou. Voou até casa. Adiantou o jantar, desceu até à mercearia, ainda de avental. Faltava o gelo para a caipirinha.
Às 19h30 implorou por ajuda para pôr os pratos e os guardanapos na mesa e às 20h30 o jantar estava na mesa e os habituais primeiros a chegar perpetuavam a tradição.
Naquelas noites ela bebia. Sorria E bebia todos os golos da jornada do glorioso e concordava na pulhice da arbitragem.
Às 4h30, sonâmbula, acabava de arrumar a cozinha e apanhar as migalhas de nachos do tapete da sala, despejava o saco que tinha sido cheio apenas com garrafas de Super Bock. Pelo menos tinha o seu melhor amigo a seu lado, Syrah.
(...)
Branca como a porta do Salão, pálida, sufocada pelo corpete, retirou-se depois do café.
A tradição do habitual passeio no seu jardim perpetuava-se. Era dos poucos lugares do palacete que gostava, onde se sentia bem em sua casa.
Mas sentia. Sentia que havia alguma coisa.
"Podem retirar-se"
"Mas senhora..."
"Só me demoro alguns minutos"
Expulsava lentamente todos os vestígios que a pudessem distanciar daquele jardim. Só assim podia descobrir o que, naquela noite, havia de complementar.
Desperta mas embalada, virou o seu olhar um pouco mais e, no remate do jardim, viu uma sombra. Uma silhueta masculina.
Em pouco tempo, aquela silhueta mostrou um nome, mostrou um coração maior e deu-lhe a alma como quem a troca por um livro antigo. Mais do que alguma vez tinha ousado encontrar, mais do que alguma vez pudesse desejar.
Mais.
Mais do que alguma vez seria no seio daquele casamento economicamente perfeito.
Aquela sombra no jardim, abraçava-a às escondidas em encontros combinados, tornava-se lentamente no corpo que queria a criar calor humano com o seu. Passeios naquele jardim que lhes tinha dado o mote, naquelas horas avançadas da noite que os tinham apresentado.
Aquela mulher, havia descoberto o motivo do pó de arroz, havia descoberto a direcção que tinha de pedir a Deus, ao ajoelhar-se junto ao seu leito.
Mais do que receber, queria dar-se. Dar-se de corpo e alma, atributos e equilíbrio.
Lentamente aquela sombra misteriosa ganhou um corpo de homem e, ao mesmo ritmo, arrastava-a para a traição.
(...)
Nunca achou realmente que se reciclasse, mas não conseguia não o fazer. E, por isso, andava até ao próximo quarteirão.
Nunca pensou que pudesse ganhar dias mais radiantes, luminosos, apaixonantes.
Na rua do bairro, apenas com as luzes de estrada, travava uma batalha com o anel que tinha no seu dedo.
Primeiro, apenas porque estava cansada, deslizava ao seu sorriso, mas em pouco tempo essa paixão tornou-se mais forte, até apertar a distância, até matarem os segundos.
Mais encontros, mais horas de almoço na livraria que ele geria, encostados nas prateleiras a consumar a mais saborosa das derrotas. Tinha perdido a luta que travava com o compromisso de ouro, envolto, preso no seu dedo.
Enfeitiçada, ignorava o sentimento de culpa. O amor fascinava-a, cegava-a.
Entregava-lhe alegremente a felicidade ao domicilio.
(...)
Monday, May 5, 2008
(atrasado)
Alguns descobriram ontem
Alguns vão encontrar amanhã por mero acaso
Alguns nunca tiveram a chance de encontrar, nem ouvir falar dos seus métodos
Alguns ouviram falar por outros.
Certo, é que existe.
Refuto todas as hipóteses daqueles grandes filósofos. Certamente nunca sentiram o prazer de ter alguma certeza.
Mas hoje, estas palavras, são de comemoração!
Proponho um brinde.
Ergam as taças de champagne borbulhante e sorriam.
Podem dispensar a razão do brinde e, secretamente, brindar à vossa.
Eu brindo ao passar do tempo. Aos 365 longos dias. Cada um desses com 24h e cada uma dessas horas com 60 apaixonantes minutos, e em cada um desses minutos há 60 segundos que estão absolutamente repletos de ti.
Brindo à certeza do meu crescimento como pessoa e aproveito para agradecer brindando aos que me acompanham.
Penso, e resolvo mudar de visual.
Aquelas letras cansaram-me a vista e aquelas cores embaciaram-me a alma.
Dias, horas e segundos de papel.
Um ano de páginas.
Alguns vão encontrar amanhã por mero acaso
Alguns nunca tiveram a chance de encontrar, nem ouvir falar dos seus métodos
Alguns ouviram falar por outros.
Certo, é que existe.
Refuto todas as hipóteses daqueles grandes filósofos. Certamente nunca sentiram o prazer de ter alguma certeza.
Mas hoje, estas palavras, são de comemoração!
Proponho um brinde.
Ergam as taças de champagne borbulhante e sorriam.
Podem dispensar a razão do brinde e, secretamente, brindar à vossa.
Eu brindo ao passar do tempo. Aos 365 longos dias. Cada um desses com 24h e cada uma dessas horas com 60 apaixonantes minutos, e em cada um desses minutos há 60 segundos que estão absolutamente repletos de ti.
Brindo à certeza do meu crescimento como pessoa e aproveito para agradecer brindando aos que me acompanham.
Penso, e resolvo mudar de visual.
Aquelas letras cansaram-me a vista e aquelas cores embaciaram-me a alma.
Dias, horas e segundos de papel.
Um ano de páginas.
Saturday, April 19, 2008
Desculpem a ausência
mas retirei-me para viver.
Voltei só para escrever poesia que não rima, mas que mesmo assim te soa à poesia épica de Camões.
As palavras esgotaram-se, a pele está gasta, as rugas presentes e, a vontade embarcou no navio da semana passada.
No regresso, apenas consegui encontrar a cera derretida das velas que deixaste no chão. É raro.
Era raro esqueceres-te de as apagar... era raro esqueceres-me.
mas retirei-me para viver.
Voltei só para escrever poesia que não rima, mas que mesmo assim te soa à poesia épica de Camões.
As palavras esgotaram-se, a pele está gasta, as rugas presentes e, a vontade embarcou no navio da semana passada.
No regresso, apenas consegui encontrar a cera derretida das velas que deixaste no chão. É raro.
Era raro esqueceres-te de as apagar... era raro esqueceres-me.
Monday, April 7, 2008
Noite de Estreia
Hoje foi mais uma estreia absoluta.Nela não podes ser nada senão o protagonista.
Toda a gente te dava os parabéns mesmo antes de entrares em palco e antes mesmo de dizeres alguma coisa que os merecesse.
Sucesso. É isso que as pessoas esperam de ti, desde o primeiro instante.
Não está vento. Parece que escolheste a noite perfeita. Ou que ela se tornou perfeita à tua medida.
Lá fora, fumas o último cigarro antes de entrar, encostado à parede.
Mas eu sei como tu adoras os bastidores.
Entraste no meu camarim e roubaste o meu papel, apoderaste-te dele como se nunca me tivesse pertencido. Desde então, apetece-te o sabor a bastidores.
Mas está na hora, dizem-te.
E tu, ansioso mas cansado, nervoso mas entediado, passas uma última olhada no guião.
E estás pronto. Não podes não estar.
Segundos antes de entrares escolhes uma das muitas máscaras que tens.
E sem te aperceberes, estás em palco.
E eu sei que tu adoras o palco.
Todas as atenções centradas em ti, a receberem-te com aplausos. Deve ser bom voar assim.
Na noite de estreia divirto-me a descobrir a tua máscara. O que há nela que, desta vez, é verdadeiro e o que, hoje, tu interpretas.
E eu sei de todos os teus truques e conheço todas as tuas manias.
Do palco, tu ouves-me, sentes-me.
Procuras-me sem te desconcentrares mas não consegues. Há demasiados focos, há demasiados rostos.
Ajeitas o nó da gravata e aí eu sei como te sufoca.
No fim, chovem rosas aos teus pés.
E eu sei como tu adoras essa vida de actor, como a magia de ser quem queres te seduz.
Porque para ti é isto.
A vida, nós, a pele, o pano a cair.
Somos uma peça numa noite de estreia.
Sunday, March 30, 2008
Um dia
Um dia...
Acredito.
Um dia não me vais olhar como me olhas hoje
Não vou ter de disfarçar gestos feridos, como se te tivesses fartado de mim, como se eu te entediasse de morte
Um dia esses olhares e essas palavras que me custam tanto e que para ti não passam de diversões vão extinguir-se
Um dia só vai sobrar espaço para me mostrares
Só vai sobrar tempo para eu ver
Um dia, talvez
Talvez vires toda a raiva e me abraces na nova vaga que és
Um dia talvez esteja gasta
Um dia, e acredito, vais querer garantir-me do teu lado
Um dia, quando perceberes que sempre estive, talvez me acolhas, breve e feliz
E se um dia perceberes como preciso, como aprendo ao teu lado
Um dia vais saber, com a mesma força com que me escutas e me lês estas palavras, que me dou, que me entrego a ti
Um dia vais estender-me essa estrada
Vais dar-me sentidos
Um dia vamos respirar de alívio por nos termos cruzado
Vamos sentir-nos inteiramente bem por nos termos, e por podermos ser nós
Um dia que anseio
Esse dia que parece mais perto quando me sorris, porque isso é universal
Esse dia,
Acredito.
Acredito.
Um dia não me vais olhar como me olhas hoje
Não vou ter de disfarçar gestos feridos, como se te tivesses fartado de mim, como se eu te entediasse de morte
Um dia esses olhares e essas palavras que me custam tanto e que para ti não passam de diversões vão extinguir-se
Um dia só vai sobrar espaço para me mostrares
Só vai sobrar tempo para eu ver
Um dia, talvez
Talvez vires toda a raiva e me abraces na nova vaga que és
Um dia talvez esteja gasta
Um dia, e acredito, vais querer garantir-me do teu lado
Um dia, quando perceberes que sempre estive, talvez me acolhas, breve e feliz
E se um dia perceberes como preciso, como aprendo ao teu lado
Um dia vais saber, com a mesma força com que me escutas e me lês estas palavras, que me dou, que me entrego a ti
Um dia vais estender-me essa estrada
Vais dar-me sentidos
Um dia vamos respirar de alívio por nos termos cruzado
Vamos sentir-nos inteiramente bem por nos termos, e por podermos ser nós
Um dia que anseio
Esse dia que parece mais perto quando me sorris, porque isso é universal
Esse dia,
Acredito.
Wednesday, March 19, 2008
Adorava ter daquelas vidinhas abençoadas.
Super favorecidas pelos milagres da genética.
Mas ninguém quer ler textos de alguém que só se sabe queixar para umas quantas linhas no papel.
Digo-vos. Ninguém quer ler textos de alguém que só dê pena. É desinteressante.
É de pouca qualidade.
Mas prometo que nestas férias vou comer dicionários. Só para ver se me traz novas peças de vocabulário.
Férias!
Quem não quer?
Daquelas que só são possíveis em lugares que não o nosso. Daquelas que só acontecem nos filmes. Com aquelas cenas típicas e que me deixam verde de inveja.
Férias com amigos. Com os ingredientes todos que vêm com a receita, por direito!
Amores de verão, praia de dia com gelados, praia de noite com guitarras e fogueiras.
Saladas frescas, aventuras a condizer.
Histórias e planos absurdos.
Tu estendes a mão e passas-me algum objecto.
De todos aqueles que te pertencem nunca achei que me fosses dar nenhum.
A mim deste um alfinete. Digo-o como se fosse um grande prémio ganho num grande concurso, mas não é, pois não?
É um alfinete.
Nunca vai ser mais do que aquilo, assim como tu nunca vais ser mais do que me és agora.
Vou usá-lo. O mais irónico é que vou usá-lo.
Para prender a tua fotografia no meu quadro de cortiça.
É esta a prova que te dou.
Tu nunca me seduziste com esse teu jeito tão sensível.
Eu sempre preferi o frontal.
Mas se ainda achas que me és indiferente podes abandonar essa ideia, depois de te conhecer voltei a roer as unhas.
E sei que é inevitável, assim que puder vou largar tudo o que estou a fazer e vou roer as unhas.
Sem brilho, sem verniz, nada.
Super favorecidas pelos milagres da genética.
Mas ninguém quer ler textos de alguém que só se sabe queixar para umas quantas linhas no papel.
Digo-vos. Ninguém quer ler textos de alguém que só dê pena. É desinteressante.
É de pouca qualidade.
Mas prometo que nestas férias vou comer dicionários. Só para ver se me traz novas peças de vocabulário.
Férias!
Quem não quer?
Daquelas que só são possíveis em lugares que não o nosso. Daquelas que só acontecem nos filmes. Com aquelas cenas típicas e que me deixam verde de inveja.
Férias com amigos. Com os ingredientes todos que vêm com a receita, por direito!
Amores de verão, praia de dia com gelados, praia de noite com guitarras e fogueiras.
Saladas frescas, aventuras a condizer.
Histórias e planos absurdos.
Tu estendes a mão e passas-me algum objecto.
De todos aqueles que te pertencem nunca achei que me fosses dar nenhum.
A mim deste um alfinete. Digo-o como se fosse um grande prémio ganho num grande concurso, mas não é, pois não?
É um alfinete.
Nunca vai ser mais do que aquilo, assim como tu nunca vais ser mais do que me és agora.
Vou usá-lo. O mais irónico é que vou usá-lo.
Para prender a tua fotografia no meu quadro de cortiça.
É esta a prova que te dou.
Tu nunca me seduziste com esse teu jeito tão sensível.
Eu sempre preferi o frontal.
Mas se ainda achas que me és indiferente podes abandonar essa ideia, depois de te conhecer voltei a roer as unhas.
E sei que é inevitável, assim que puder vou largar tudo o que estou a fazer e vou roer as unhas.
Sem brilho, sem verniz, nada.
Behold gentleman!
Because this is the night where you will testify a great chapter in the history of Mankind.
Someone has arrived.
The one we all expected for so long.
For so long that we are even tired of hearing and talking about it. But no one could forget.
Not for one second.
Someone with a great figure.
Perfectly shaped, maybe by God Himself.
Someone whose presence is so strong that even the ink of my pen is afraid to face.
Someone whose perfum is so captivating that not even the most powerful Maharajah can top.
Someone whose walk amazes all people in the globe.
Someone whose fences were passed long before Man's first step on the moon.
And you, you thought you could be that someone.
I have to congratulate you because you've accomplished one of your so wanted Master Pieces.
But not today.
Baby, today you only got everyone laughing at you.
Laughing so loudly that it burn.
And that burn that is leaving scares in your skin has my name written on it.
Gladly, I was the one who laughed louder. Drink it up
Because this is the night where you will testify a great chapter in the history of Mankind.
Someone has arrived.
The one we all expected for so long.
For so long that we are even tired of hearing and talking about it. But no one could forget.
Not for one second.
Someone with a great figure.
Perfectly shaped, maybe by God Himself.
Someone whose presence is so strong that even the ink of my pen is afraid to face.
Someone whose perfum is so captivating that not even the most powerful Maharajah can top.
Someone whose walk amazes all people in the globe.
Someone whose fences were passed long before Man's first step on the moon.
And you, you thought you could be that someone.
I have to congratulate you because you've accomplished one of your so wanted Master Pieces.
But not today.
Baby, today you only got everyone laughing at you.
Laughing so loudly that it burn.
And that burn that is leaving scares in your skin has my name written on it.
Gladly, I was the one who laughed louder. Drink it up
Monday, March 17, 2008
Inteiramente teu
“Silêncio.
A plateia aguarda ansiosamente o sinal do maestro.”
O pianista entra em palco.
Prepara-se para enfrentar esta plateia e extasiá-la sem dizer uma única palavra, sem precisar de estabelecer qualquer contacto com o seu olhar.
Sentem-se os seus passos, com aqueles sapatos de gala festiva a tocarem no soalho de madeira suave. Esquerdo, direito, esquerdo, direito.
Senta-se.
A plateia acolhe-o com palmas, alguns estão mesmo de pé. É como se lhe dissessem “bem-vindo a casa”.
Ao sinal do maestro, que faz flutuar as suas mãos com toda a paixão, entregando-se e pronto para se perder em frente àqueles músicos, àqueles instrumentos, começa então o concerto.
A medo, cria as primeiras notas.
A plateia ressente-se, como se a sua viagem tivesse começado.
Ao piano, seguem-se o violoncelo, o oboé, o clarinete… Só vêm acrescentar melodia, corpo a esta orquestra.
Violinos.
Os músicos dão-se todos aos seus instrumentos, e os seus instrumentos dão-se todos a eles. Seus companheiros de longas noites de inspiração, companheiros de pautas, notas, arpejos, fiéis amigos.
Acalma.
Os músicos, assim como a plateia, reúnem as suas forças, e inspiram fundo aquelas notas, não há oxigénio nem nenhum outro gás, aquela atmosfera é de música.
A sala está repleta de beleza, paira perfeição e emana sensualidade.
O pianista, embalado, toca um solo, atreve-se a assumir o comando da noite.
O fôlego aperta-se.
O clímax aproxima-se.
Este momento é âmbar. Congelou cada músico, toda a plateia, no eterno.
Do maestro sai toda a música. Fluida, como o grito daqueles violinos, como o chamar daquele oboé e daquele clarinete, o rufar daqueles tambores e como a mensagem daquele piano.
Os instrumentos pedem-no, os músicos pedem-no!
Quando o concerto desfalece e acaba, a plateia sente-se bem, bem. Nova.
Mas não acaba verdadeiramente, aquele concerto vai para casa, no mais intrínseco de cada um!
A plateia, submersa, aplaude de pé.
Os músicos agradecem de pé.
Por favor, outra vez!
A plateia aguarda ansiosamente o sinal do maestro.”
O pianista entra em palco.
Prepara-se para enfrentar esta plateia e extasiá-la sem dizer uma única palavra, sem precisar de estabelecer qualquer contacto com o seu olhar.
Sentem-se os seus passos, com aqueles sapatos de gala festiva a tocarem no soalho de madeira suave. Esquerdo, direito, esquerdo, direito.
Senta-se.
A plateia acolhe-o com palmas, alguns estão mesmo de pé. É como se lhe dissessem “bem-vindo a casa”.
Ao sinal do maestro, que faz flutuar as suas mãos com toda a paixão, entregando-se e pronto para se perder em frente àqueles músicos, àqueles instrumentos, começa então o concerto.
A medo, cria as primeiras notas.
A plateia ressente-se, como se a sua viagem tivesse começado.
Ao piano, seguem-se o violoncelo, o oboé, o clarinete… Só vêm acrescentar melodia, corpo a esta orquestra.
Violinos.
Os músicos dão-se todos aos seus instrumentos, e os seus instrumentos dão-se todos a eles. Seus companheiros de longas noites de inspiração, companheiros de pautas, notas, arpejos, fiéis amigos.
Acalma.
Os músicos, assim como a plateia, reúnem as suas forças, e inspiram fundo aquelas notas, não há oxigénio nem nenhum outro gás, aquela atmosfera é de música.
A sala está repleta de beleza, paira perfeição e emana sensualidade.
O pianista, embalado, toca um solo, atreve-se a assumir o comando da noite.
O fôlego aperta-se.
O clímax aproxima-se.
Este momento é âmbar. Congelou cada músico, toda a plateia, no eterno.
Do maestro sai toda a música. Fluida, como o grito daqueles violinos, como o chamar daquele oboé e daquele clarinete, o rufar daqueles tambores e como a mensagem daquele piano.
Os instrumentos pedem-no, os músicos pedem-no!
Quando o concerto desfalece e acaba, a plateia sente-se bem, bem. Nova.
Mas não acaba verdadeiramente, aquele concerto vai para casa, no mais intrínseco de cada um!
A plateia, submersa, aplaude de pé.
Os músicos agradecem de pé.
Por favor, outra vez!
Sunday, March 16, 2008
Perfeição, bolsos e p*tas
Comprei uns jeans novos.
Daqueles que nos servem como se tivessem sido feitos à medida para nós.
O homem que teceu aquelas linhas, que imaginou aquelas curvas e que coseu aqueles pontos estava a pensar em mim quando o fez.
E por isso ele entregou toda a sua saúde, disposição, cabeça, corpo e mente. Todos os poros da sua pele naqueles jeans.
Mas não são perfeitos, mas só porque o perfeito não existe.
Se existisse seriam aqueles jeans.
Se existisse seria um homem.
Se existisse seria uma mulher, e uma mulher grávida, trazendo vida dentro de si, literalmente.
Mas não há.
Há algo aproximado a isso, pode dizer-se que uma relação perfeita é quando se amam as qualidades e se suportam os defeitos. Estão a ver onde quero chegar?
Perfeição é a ausência de defeitos.
E isso não é do domínio terrestre e humano. É apenas reservado ao divino.
É como televisão por cabo, só quem paga caro pode ver.
Eu voltei a sentir aquele tecido assente na minha pele, e pus a mão no bolso. Quando olhei para o que tinha tirado de lá, para o que estava na minha mão, posso-vos dizer que era tempo. Era tempo, sangue e oxigénio.
P*ta que pariu falta-me o tempo, o sangue e o oxigénio e era lá que eles estavam, no meu bolso!
P*tas, p*tas, p*tas, pelo menos essas!
São o tóxico de uma sociedade, olhadas com desrespeito e tratadas como tal. No seu olhar, no entanto, só restará vergonha e desilusões.Porque no dia em que venderam o seu corpo, tiraram-lhes como se fossem uma promoção a sua força e orgulho.
Daqueles que nos servem como se tivessem sido feitos à medida para nós.
O homem que teceu aquelas linhas, que imaginou aquelas curvas e que coseu aqueles pontos estava a pensar em mim quando o fez.
E por isso ele entregou toda a sua saúde, disposição, cabeça, corpo e mente. Todos os poros da sua pele naqueles jeans.
Mas não são perfeitos, mas só porque o perfeito não existe.
Se existisse seriam aqueles jeans.
Se existisse seria um homem.
Se existisse seria uma mulher, e uma mulher grávida, trazendo vida dentro de si, literalmente.
Mas não há.
Há algo aproximado a isso, pode dizer-se que uma relação perfeita é quando se amam as qualidades e se suportam os defeitos. Estão a ver onde quero chegar?
Perfeição é a ausência de defeitos.
E isso não é do domínio terrestre e humano. É apenas reservado ao divino.
É como televisão por cabo, só quem paga caro pode ver.
Eu voltei a sentir aquele tecido assente na minha pele, e pus a mão no bolso. Quando olhei para o que tinha tirado de lá, para o que estava na minha mão, posso-vos dizer que era tempo. Era tempo, sangue e oxigénio.
P*ta que pariu falta-me o tempo, o sangue e o oxigénio e era lá que eles estavam, no meu bolso!
P*tas, p*tas, p*tas, pelo menos essas!
São o tóxico de uma sociedade, olhadas com desrespeito e tratadas como tal. No seu olhar, no entanto, só restará vergonha e desilusões.Porque no dia em que venderam o seu corpo, tiraram-lhes como se fossem uma promoção a sua força e orgulho.
Subscribe to:
Posts (Atom)